Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.
(Italo Calvino, Por que ler os clássicos)
A razão de ser da criação deste sítio na internet é a divulgação do banco de dados das principais referências literárias contidas na obra freudiana, que se encontra disponível para consulta. As demais publicações derivam seja dos diferentes e sucessivos projetos de pesquisa por mim propostos e coordenados, cujo objeto de investigação é a remissão à literatura na fundamentação teórico-conceitual da psicanálise, seja do meu interesse pessoal pela literatura e pelo campo das artes em geral.
No levantamento realizado junto às obras completas de Sigmund Freud traduzidas no Brasil [1] foram identificadas 243 (duzentas e quarenta e três) referências literárias. Dentre os autores mais citados por Freud destacam-se o poeta, romancista, dramaturgo, cientista e político alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749 – 1832), com oitenta e três citações, o poeta e dramaturgo britânico William Shakespeare (1564 – 1616), com setenta e oito citações, o romancista russo Fiódor Dostoiévski (1821 – 1861), com trinta e sete citações, o poeta trágico grego Sófocles (496 a.C. – 406 a.C.) com vinte e quatro citações e - o poeta e dramaturgo alemão Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 - 1805) com vinte e uma citações.
Este levantamento bibliográfico circunstanciado das principais referências literárias presentes na obra freudiana foi realizado ao longo dos últimos anos como parte de diferentes projetos de pesquisa propostos e coordenados por mim no Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. O projeto de pesquisa “Psicanálise e literatura: o campo da palavra e da linguagem como práxis” foi contemplado com o Auxílio ao Pesquisador Recém Contratado (ARC) da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ); já o projeto de pesquisa “Freud e a ciência da literatura – interdisciplinaridade na fundamentação teórico-conceitual da psicanálise” recebeu o inestimável auxílio do Programa Prociência da Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PR2-UERJ). Somando-se a estes, o projeto de pesquisa “Psicanálise e literatura –Freud e os clássicos” vem renovadamente sendo contemplado com bolsas de Iniciação Científica. Desde o ano de 2016 estas vêm sendo concedidas pelo Departamento de Capacitação e Apoio à Formação de Recursos Humanos da Pró-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (DCARH/PR2/UERJ), seja pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), seja através da cota de bolsas de Iniciação Científica destinada à UERJ.
Agradeço aos referidos órgãos e instituições de fomento à pesquisa pelo imprescindível apoio, sem o qual o presente banco de dados com as principais referências literárias na obra freudiana não teria sido exequível. Estendo o meu agradecimento aos diversos estudantes, tanto bolsistas e como voluntários, que, a título de integrantes dos projetos de pesquisa mencionados, contribuíram para a realização do levantamento bibliográfico que deu origem ao referido banco de dados.
Este se destina aos pesquisadores, estudantes e demais interessados na articulação profícua entre a psicanálise e a literatura, estabelecida por Sigmund Freud com vistas à fundamentação teórico-conceitual do campo psicanalítico. Espero que esta empreitada esteja à altura de seu legado.
Se, como afirma Calvino, um clássico é uma obra literária que não terminou de dizer aquilo que tinha para dizer, se deve ao fato de que a verdade que a obra clássica articula é da ordem do semi-dizer (mi-dire). A verdade fala, afirma Lacan [2], sem, no entanto, dizer tudo. Nem mesmo diz a verdade - que, como se sabe, tem uma estrutura de ficção.
Ingrid Vorsatz Novembro de 2025
Literatura, Psicanálise
10/11/2025 00:00